domingo, 22 de março de 2009

Profissão de fotógrafo 'lambe-lambe' pode virar patrimônio cultural em MG

Prefeitura quer evitar extinção do tradicional ofício.
Fotógrafos perdem espaço para as modernas câmeras digitais.

A Prefeitura de Belo Horizonte pretende transformar a profissão de fotógrafo “lambe-lambe” em patrimônio cultural. Com as novas tecnologias e a chegada das máquinas fotográficas digitais, o trabalho destes profissionais no Parque Municipal da capital mineira diminuiu bastante. A medida da prefeitura visa impedir que o ofício seja extinto.


Quem visita o parque municipal sem uma máquina fotográfica e quer registrar os bons momentos do passeio pode contar com os serviços de um dos nove lambe-lambes. Estes fotógrafos antigos usavam máquinas com foco manual e a imagem vista era invertida. Eram “bons tempos”, de acordo com o fotógrafo Francisco Xavier.

“Hoje tem os celulares, que fotografam, então, o movimento caiu muito. Hoje nós trabalhamos apenas para nossa sobrevivência”, diz Xavier. Para evitar que esta tradição se perca, a prefeitura de Belo Horizonte quer transformá-los em patrimônio cultural.

A intenção “é preservar a história dos lambe-lambes em relação à história de Belo Horizonte e ao mesmo tempo fazer com que este ofício se mantenha vivo na história da cidade”, diz Michele Arroyo, diretora da Fundação Municipal de Cultura.

O projeto ainda está sendo analisado. Enquanto isto, os lambe-lambe continuam firmes no parque municipal, registrando bons momentos da vida dos outros. “A coisa que me deixa mais feliz é fazer uma foto e a pessoa falar ‘nossa, que bacana, como eu fiquei bem’”, diz o fotógrafo Wagner da Silva.

Fonte:
http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1045001-5598,00-PROFISSAO+DE+FOTOGRAFO+LAMBELAMBE+PODE+VIRAR+PATRIMONIO+CULTURAL+EM+MG.html

"A centenária máquina da qual derivou o nome de "lambe-lambe" virou peça de colecionador e fomenta o saudosismo de alguns que trabalharam com o instrumento. O apelido conferido ao fotógrafo veio em razão de a ponta da língua ser utilizada no processo do trabalho diário. Sem luz para enxergar, o profissional conseguia saber qual lado continha a emulsão que revestia o material dando uma pequena lambida no negativo. Desse modo, eliminava-se o risco de colocar o material de forma errada.

A fotografia, sempre em preto-e-branco, era revelada no interior do caixote, sem a necessidade levar o filme ao laboratório. Ao todo, eram necessários 15 minutos no processo.

Através dos anos, com a introdução de novas tecnologias e a dificuldade crescente de encontrar produtos necessários ao seu funcionamento, a utilização das máquinas "lambe-lambes" foi descontinuada."

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